
A apresentação dos trabalhos de Cidadania e Desenvolvimento das turmas 10F e 12F aconteceu no Auditório da ESA, no dia vinte e seis de janeiro de manhã.
O projeto Pessoas Africanas e Afrodescendentes em Lisboa, a partir da pintura dos finais do século XVI, Chafariz d’El Rey, até aos nossos dias resulta da colaboração entre a historiadora de Arte, Giuseppina Raggi, as coordenações da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e do Projeto Cultural de Escola. Na ESA está em execução por três semestres, um deles concluído no ano letivo anterior e dois no presente ano. Proposto por Giuseppina Raggi, com o título "Making Portugal - Desafiando o passado. Mecenato e agência dos Africanos e Afrodescendentes nas artes e na arquitetura de época moderna em Portugal durante o tráfico negreiro transatlântico (1486-1836)”, foi financiado pela FCT e tem como ponto de partida a interrogação sobre o mecenato artístico e arquitetónico de pessoas e/ou comunidades africanas e afrodescendentes, durante o Antigo Regime em Portugal. Na ESA prevê uma intervenção dedicada à Educação Participativa, procurando estabelecer uma ligação com a atualidade, num contexto territorial inequivocamente marcado pela presença de comunidades africanas, na freguesia da Amora e na nossa escola: promover uma História não contada da Europa que ignora protagonistas, os Europeus Africanos ou Africanos Europeus, pessoas de ascendência africana, com múltiplas identidades, nascidas na Europa, com vínculos ao continente africano.
A apresentação dos trabalhos reportou-se a dois dos três semestres, o segundo do ano 2024-25 e o primeiro de 2025-26. Por isso, estiveram juntas duas turmas que não se conhecendo, partilharam a análise da pintura Chafariz d’El Rey, a partir da qual elaboraram projetos diferentes.
No primeiro semestre de 2025-26, os alunos da turma 10F, desenvolveram o projeto, semanalmente, em interdisciplinaridade entre Cidadania e Desenvolvimento, Inglês e Português. As professoras envolvidas, Claúdia Faria e Clarisse Sequeira, apoiaram e incentivaram a execução de cada trabalho dos diferentes grupos, em colaboração com Giuseppina Raggi e a coordenadora do Projeto Cultural da ESA. A turma partiu da observação da pintura Chafariz d’El Rey, que revela a forte presença de africanos na cidade de Lisboa, já no século XVI, analisou-a na globalidade, contextualizou-a e escolheu uma determinada cena para análise em cada grupo, a partir da qual estabeleceram a ligação com a atualidade (AE de Cidadania e Desenvolvimento: Analisar os desafios globais e temas controversos de Direitos Humanos). A atividade procurava, ainda, incentivar uma vertente de raiz artística no decurso dos trabalhos, como referiu uma das jovens estudantes do 12ºF ao destacar aspetos da relevância do projeto: trazer a Arte para a Cidadania.
A avaliação do trabalho da turma 10F é excelente. Apesar do processo ter sido complexo, dadas as características da turma, o resultado cumpriu muitos dos objetivos, nomeadamente a capacidade que quase todos revelaram na apresentação perante o público e a pertinência da mesma: os grupos estabeleceram uma clara relação com as dimensões escolhidas para desenvolver na disciplina: Direitos Humanos, Pluralismo e Diversidade Cultural, Desenvolvimento Sustentável. Enquadraram nas dimensões cada apresentação, com temáticas diversas: a importância da água, a violência sexual, o racismo, as pessoas escravizadas, a presença africana das mulheres na comunidade atual, entre outros.
Texto da responsabilidade da coordenadora do PCE
Publicado em: 04 de fevereiro de 2026